terça-feira, 12 de agosto de 2014

Semana da Amamentação




A primeira semana de agosto é dedicada mundialmente à amamentação.
Trabalho em escola, e este ano resolvi conversar com todos os professores, um papo rápido sobre os benefícios da amamentação para a saúde bucal. Conversei também com alunos das séries mais avançadas sobre isso e a surpresa foi geral - Afinal! O que que amamentação tem a ver com saúde bucal?
Bem, se vocês olharem a foto do bebezinho mamando aí em cima, vocês poderão ver como a boca se encaixa perfeitamente ao seio materno, fazendo com que o bebê use a via natural para respirar, que é a nasal.
Bebês que usam mamadeira não tem essa embocadura e respiram também pela boca, numa via mais fácil mas incorreta, causando a ingestão de ar (o que aumenta as cólicas)  e provocam uma deglutição atípica, entre outras coisas.
Na ordenha do seio, os movimentos do bebê deslocam o queixo para a frente num exercício que vai estimular o bom posicionamento da mandíbula.
No uso da mamadeira o movimento é de sucção, estimulando os músculos bucinadores que podem causar atresia maxilar, e não desenvolvem a movimentação da mandíbula.
Ossos crescem também por estímulo muscular, daí pode instalar-se a maloclusão.
Mordidas cruzadas, abertas, musculatura hipotônica, e por aí vai.
Dentes tortos acumulam mais resíduos correndo o risco de desenvolver mais cáries e problemas gengivais devido à dificuldade de higienização e possíveis disfunções mastigatórias.
Está aí  como a amamentação contribui para a saúde bucal.
Portanto, uma mãe que amamenta também está cuidando da saúde bucal de seu filho e um filho amamentado tem mais chances de ter uma boa saúde bucal e uma melhor estética facial, sem falar no benefício primordial da nutrição segura e da prevenção à infecções dada pelos anticorpos do leite materno.
Falei também sobre a importância do apoio familiar ao ato de amamentar, ajudando a mãe em suas tarefas cotidianas para que ela tenha a tranquilidade para , principalmente nos primeiros tempos, amamentar o bebê.
O bem estar da criança depende de um esforço familiar coletivo.
A amamentação passou por diversas fases históricas, desde a rejeição ao ato e o costume das amas de leite para famílias mais abastadas, ou mesmo a crença de que o leite artificial ( em pó) era mais adequado, ou que amamentar prejudica a forma física das mães.
Hoje a amamentação  sofre um resgate e um estímulo, e ter a sociedade à favor é também um facilitador.
Fiquei contente de poder falar sobre isso, assunto que despertou muito interesse, e tenho a certeza que todos ampliaram sua visão sobre a amamentação.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pratinha no dente - Amálgama, o bom e velho e eficiente, amálgama



"Sou pré-histórica
poluente
perigosa
por favor, aposentem-me"

Pois é , estes versinhos poderiam falar do amálgama como material restaurador, mas falam de mim mesma, a dentista que usa amálgama.
Sei que os materiais estéticos estão bastante aperfeiçoados, não duvido de sua eficiência e qualidade, mas não há como negar que se não há domínio da técnica , nem cuidados por parte do paciente os insucessos são regra.
Então, em boquinhas de crianças que não escovam os dentes, tem alto consumo de açúcar e histórico anterior de cárie,  não arrisco,  uso amálgama na dentição permanente.
 Mais tarde, com os fatores controlados, que se troque a restauração por uma estética, se desejado, agora o que me interessa é preservar a estrutura dental.
Morro de pena quando pego restaurações de resina infiltradas, pequenas lesões na superfície e um grande estrago sob a restauração com grande comprometimento do elemento dental.
Selantes causam também estragos, removo selantes infiltrados que viraram cárie em bocas hígidas que dispensariam esta "proteção extra".
Daí volto a dizer que uso amálgama, mesmo ciente da falta de estética e dos possíveis envolvimentos com o mercúrio, que teoricamente seria inócuo por estar em liga, mas que talvez traga algum dano ambiental por sua manipulação, porque penso que para a necessidade é o material mais eficiente.
Se me considerarem perigosa, por favor, aposentem-me.

Boa campanha.

Por aqui, nas terras tupiniquins, onde há fartura de recursos naturais e temperaturas altas, a água é usada e abusada em todos os sentidos.
Jogar água na rua ou na calçada ou mesmo lavar, onde um pano basta é de nossa cultura.
O mesmo acontece com a torneira aberta ao escovar os dentes.
Numa viagem ao exterior, já faz um bom tempo, percebi o cuidado que se tinha em Paris com o consumo de água. Avisos nos banheiros alertavam que  a água de um copo era suficiente para enxaguar a boca após escovar os dentes. Eu diria até, mais que suficiente.
Apliquei o aprendido aqui, nas minhas atividades coletivas de educação em saúde e escovação supervisionada e o copo fez sucesso com as crianças, como uma novidade.
Hoje, estimulados pelas campanhas pró economia de água, e lembrados por quem vai conduzir a atividade, os alunos já tomam a iniciativa de fechar a torneira enquanto escovam os dentes durante a atividade coletiva.
Assim, de gota em gota, vamos repensando hábitos em prol do futuro.

Abaixo, uma boa campanha sobre a água.

sábado, 11 de janeiro de 2014

A percepção humana na profissão




Acabo de receber o jornal do Crosp, dez 2013, onde, numa matéria sobre ética, vejo uma citação importante que quero aqui ressaltar.
"Hoje em dia, não bata ao cirurgião-dentista investir no aprimoramento profissional e na aquisição de equipamentos de última geração. O paciente tem exigido dos profissionais um tratamento mais humanizado. Ele deseja sentir-se valorizado e, sobretudo, respeitrado. Neste sentido suas expectativas, anseios, necessidades e cobranças aumentam consideravelmente, obrigando o CD a se adequar na forma com que presta o seu serviço , priorizando o diálogo.
Normalmente, um paciente lhe procura com um problema a ser resolvido, já em situação de dor, vergonha , medo , ansiedade, estresse e fragilidade, inclusive psicológica. Qualquer ação ou descuido pode ser motivador para uma denúncia ou um processo ético e judicial."
Baseado neste texto afirmo que é preciso que o CD enriqueça sua formação pessoal para melhor desempenho de sua profissão.
A literatura é caminho certo para o melhor conhecimento do humano, a arte aprimora o senso estético e junto com a música desenvolve a percepção emocional.
O ganho é particular mas reflete-se naqueles de convívio próximo e profissional.
Experimente!

Aqui um pouquinho de experimentação científica:

http://www.sciencemag.org/content/342/6156/377.abstract
Saiu na revista "Ser Médico " e eu fui atrás.
Segundo a pesquisa, ler ficção literária de qualidade e envolver-se com obras de arte aumenta a compreensão dos estados mentais do outro e das complexas relações sociais que caracterizam as sociedades humanas, habilidade conhecida como Teoria da Mente (ToM). Leitura de não ficção e ficção popular não tiveram o mesmo desempenho.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Mais sobre o flúor

Artigo de revista de pediatria.



Prevenindo cáries dentárias em crianças com menos de cinco anos: revisão sistemática e atualização das recomendações do USPSTF


4 de novembro de 2013.

Chou R, Cantor A, Zakher B, Mitchell JP, Pappas M

Contexto e Objetivo: Intervenções de rastreamento e prevenção por provedores de atenção primária melhoram os resultados relacionados às cáries na infância precoce. O objetivo desse estudo foi atualizar a revisão sistemática de 2004 do US Preventive Services Task Force sobre a prevenção de cáries em crianças com menos de cinco anos.

Métodos: Pesquisando os bancos de dados Medline e Cochrane Library (até março de 2013), nós incluímos estudos clínicos e estudos controlados observacionais sobre a efetividade e os malefícios do rastreamento e tratamento. Um autor extraiu as características dos estudos e os resultados, os quais foram avaliados quanto à acurácia por um segundo autor. Dois autores independentes avaliaram a qualidade dos estudos.

Resultados: Nenhum estudo avaliou os efeitos do rastreamento por profissionais da atenção primária nos desfechos clínicos. Um estudo de coorte de boa qualidade encontrou que o exame pediátrico está associado a uma sensibilidade de 0,76 para a identificação de crianças com cavitações. Nenhum estudo recente avaliou a suplementação com flúor por via oral. Três novos estudos aleatorizados foram consistentes com os estudos anteriores ao observar que o polimento com flúor é mais efetivo que o não polimento (redução no incremento de cáries 18% a 59%). Três estudos de xilitol foram inconclusivos a respeito dos efeitos nas cáries. Novos estudos observacionais foram consistentes com as evidências prévias mostrando associação entre o uso precoce de flúor na infância e fluorose do esmalte. Evidências sobre a acurácia dos instrumentos de predição de risco na atenção primária não estão disponíveis.

Conclusões: Não existem evidências diretas de que o rastreamento por profissionais da atenção primária reduza as cáries na infância precoce. Evidências previamente revisadas pelo US Preventive Services Task Force mostraram que a suplementação oral com fluoreto é efetiva na redução de incidência de cáries e novas evidências dão suporte à efetividade do polimento com flúor em crianças de alto risco.
© Bibliomed, Inc.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Chupar o dedo

Tem gente que acha tão bonitinho quando a criança chupa o dedo!!!
Balanço a cabeça desconsolada.
O hábito de sucção do dedo é um dos que mais mutilam as arcadas dentárias.
O dedo é presença de objeto com ação muscular, impressor de força.
Por isso, cuidado, não é para achar bonitinho algo que vai prejudicar a saúde da criança.
Dê uma olhadinha aqui:

http://dentistasbrasil.com/blog/o-habito-de-chupar-o-dedo-0033/#more-1277

Por Dentistas Brasil
O hábito de chupar o dedoPor que minha criança chupa o dedo?
Uma criança precisa sugar o peito ou mamadeira, o que é um comportamento de sobrevivência. O hábito de chupar o dedo pode aumentar quando se diminui a amamentação ou a mamadeira. Este comportamento pode indicar insegurança e ansiedade da criança; isto porque chupar o dedo é um reflexo natural, uma forma de se reconfortar e de induzir o sono.
Quando meu filho deve parar de chupar o dedo?
Recomenda-se que as crianças devam parar de chupar os polegares quando que surgirem os seus dentes permanentes, o que ocorre na idade entre 4 e 5 anos. Mas a maioria das crianças para de chupar por conta própria entre as idades de 2 a 4 anos.
Os dentes de uma criança podem ser afetados pelo hábito de chupar o dedo, dependendo do tipo de sucção que é feita, pois uma sucção de forma mais agressiva pode ter uma maior influência sobre o desenvolvimento dos dentes permanentes. Algumas crianças simplesmente mantêm seus polegares em suas bocas sem realmente sugá-los, o que pode ser menos prejudicial.
Como faço para que meu filho parar de chupar?
Não tente forçar a criança a parar de chupar o dedo, pois o tiro pode sair pela culatra. Crianças mais velhas, muitas vezes, continuam a chupar os polegares apenas para ganhar as lutas de serem criadas por seus pais. Em vez disso, você quer que seu filho escolha parar de chupar por iniciativa própria.
Distraia a criança ou ignore o hábito de chupar o dedo do seu filho. Por exemplo, se sua criança está sugando devido ao tédio, ajude-a encontrar uma atividade que possa manter as mãos dela ocupadas. Trabalhar em um livro de atividade, colorir ou fazer um artesanato.
Elogie seu filho para não chupar. Como sempre, sendo boa.
Use um gráfico de recompensa como incentivo para ajudar o seu filho a parar de chupar o dedo. Marque o seu gráfico no final de um dia sem este mau hábito. Defina recompensas por períodos sem chupar o dedo.
Chupando o dedo à noite
O hábito noturno de chupar os dedos pode ser um pouco mais difícil de parar, pois a sucção pode ajudar as crianças a adormecerem. Você pode querer criar um gráfico de incentivo especial apenas para a noite. Pense na possibilidade de estar disponível durante a noite para confortar a criança.
Você pode recompensar o seu filho com um bichinho de pelúcia especial camarada “noturno”. Lembre-se, chupar o dedo é uma maneira que as crianças tem de se reconfortarem. Substituir a sucção do polegar pelo seu novo amigo noturno pode ajudar a suprir esta necessidade de conforto durante a noite.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Repensando antigos costumes

                                        Na foto minha sobremesa predileta- Romeu e Julieta.      

A amiga, dra Renata,  chamou a atenção para este interessante artigo. Obrigada, Renata.

http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2013/08/beber-leite-depois-de-comer-alimentos-acucarados-pode-reduzir-o-risco-de-caries-4219858.html

Na reportagem acima, " Beber leite depois de comer alimentos açucarados pode reduzir o risco de cáries", do Diário Catarinense, vemos os efeitos dos ácidos formados a partir da degradação de carboidratos na cavidade bucal ser melhor neutralizado pela ingestão de leite após o consumo destes alimentos, mas também nos mostra que a água também acelera a recuperação do ambiente bucal.
Os antigos faziam uso, e alguns ainda o fazem, do leite para acompanhar a refeição.
O leite na refeição compete com o ferro na absorção. Por isso sua ingestão às refeições não é aconselhável, mas como acompanhamento de um carboidrato pode ser aconselhável e bem-vinda.
Aqui http://maisequilibrio.terra.com.br/nutrientes-2-1-1-349.html  mais combinações de alimentos não muito recomendadas.
Mas, vemos com frequência o consumo de queijos acompanhando doces em sobremesas, e como fecho de refeições como é o caso de culturas européias.
Pode estar aí , implícita, a sabedoria do sabor em favor da saúde.
Se qualquer forma um enxágue com água ainda é melhor do que nada.
Fiquemos atentos.

Dra Eliane Ratier